Presente de Grego

A expressão presente de grego tem origem nos relatos da Guerra de Tróia pelo poeta Homero, em sua obra chamada Ilíada. Neste acontecimento, a guerra já durava anos e os gregos ainda não haviam conseguido romper os muros e portões de Tróia. Assim, fizeram um cavalo de madeira e levaram até a frente dos portões da cidade.

Os Troianos, ao perceberem o presente, abriram os portões e o trouxeram para dentro de suas muralhas. Entretanto, o cavalo de madeira era oco por dentro, local onde alguns soldados gregos se esconderam e, assim, conseguiram invadir a cidade.

Podemos considerar que um presente de grego é algo que recebemos em nossa vida mas que frustra nossas expectativas e, ao fim e ao cabo, mostra-se mais prejudicial do que benéfico.

Parando para pensar, podemos perceber que muitas das coisas que temos em nossa vida foram, de certa maneira, presentes que aceitamos. Para além dos bens materiais que recebemos nos aniversários, natais e demais ocasiões festivas, temos os presentes que não são, necessariamente, possíveis de se tocar.

Podemos aqui lembrar das amizades que temos feito por onde passamos. Não seriam elas presentes que a vida colocou em nosso caminho e nós, ao conversarmos, compartilharmos experiências, as alegrias e dores que fazem parte da vida humana, passamos a aceitá-las como presentes em nossas vidas?

Em algum momento, é sujeito cruzarmos caminhos com alguém e, instintivamente, nos conectarmos com essa pessoa e o que ela aparentemente transmite. A amizade é quase instantânea. O coração bate mais forte e o ar – quase – solta faíscas. Mergulhamos de cabeça.

Quase consigo ouvir a voz de minha mãe, dizendo:

- "Antes de mergulhar, veja se é fundo".

Mas, às vezes, esquecemos dos conselhos orientais que recebemos.

Não era fundo, era raso. Por sorte o pescoço não entortou e, em algum tempo, o torcicolo passa. Mas o coração, ah o coração… Esse fica mais desconfiado. As portas já não abrem com a mesma facilidade e é necessário fazer um trabalho, lubrificar as dobradiças e apertar os parafusos que forem necessários.

Qual será a nossa responsabilidade ao recebermos um presente de grego?

Ah se eu tivesse ouvido o conselho…

O tempo não para. Com o tic-tac do relógio vamos aprendendo a viver, que nem sempre devemos confiar e mergulhar de cabeça onde não conhecemos, que a simplicidade, a honestidade, a amizade, os bons valores e o caráter valem mais na pessoa que queremos ao nosso lado do que apenas um rostinho bonito ou um corpo esculpido. Porém, onde encontrar?

Na prateleira do supermercado das paqueras, parece estar em falta.

No entanto, gosto sempre de lembrar o que disse um grande amigo meu: “A esperança não morre”.

Espero que o cupido também não…

É claro que não devemos acreditar que somos responsáveis pelas atitudes que o presente de grego teve, mas podemos trazer uma peneira conosco, sabendo aquilo que é importante para cada um de nós e, assim, evitando abrir os portões de nossos corações para um Cavalo de Tróia.

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