Para subir o morro íngrime de terra, acelerei o passo,
O suor escorria em meu rosto, atrapalhando minha visão.
As pernas pediam trégua, cansadas do ritmo árduo,
Não ouvi, não parei.
Bebi a água enquanto caminhava
Quando cheguei ao topo do monte,
Certo de que precisava ser o primeiro,
Segui em frente,
Desci o monte,
Acelerei o passo.
Logo perdi o controle da velocidade.
O corpo, fraco e cansado, não respondeu no momento em que deveria,
O desequilíbrio veio aos poucos,
Primeiro um passo, depois o outro.
Tropecei em um desnível,
Estrada abaixo, fui rolando…
Quando me dei conta, o mundo parou de rodar.
Não arrisquei me movimentar,
O corpo, que me neguei a ouvir, agora não podia ser ignorado,
Urrava suas feridas, lembrando-me que teria sido mais sábio escutar os seus sinais.
Deitado no chão, vi o sol se pôr e chorei com a beleza de sua luz,
As estrelas surgiram aos poucos, singelas,
Uma grandeza surrupiada dos moradores de cidades,
Que as ofuscam com suas luzes artificiais,
Privando os homens de contemplar uma parte tão bela da imensidão da criação.
Sentir-se pequeno é inevitável…
Lembrei-me de um ditado chinês que diz: “ao final do jogo de xadrez, o rei e o peão vão para a mesma caixa”.
A infinitude de um céu que nunca cai sobre o chão,
Permanecendo firme entre tempestades e trovões.
É onde, sempre, um novo dia vem raiar.
Com mais serenidade para caminhar.